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04/02/2010

Recuperação interna pode aumentar riscos de inflação, diz Copom



O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central disse, na ata da reunião da semana passada, que a recuperação da demanda doméstica podem aumentar os riscos de aumentar os riscos para a "concretização de um cenário inflacionário benigno", no qual a inflação seguiria consistente com a trajetória de metas traçadas pelo governo --para este ano, a meta é de 4,5%.

"Nesse ambiente, cabe à política monetária manter-se especialmente vigilante para evitar que a maior incerteza detectada em horizontes mais curtos se propague para horizontes mais longos", afirma o texto.

O comitê ressaltou, porém, que poderá adequar os juros "às circunstâncias" caso isso seja necessário. Na quarta-feira da semana passada (27), o Copom manteve a taxa básica de juros (Selic) em 8,75% e disse que iria "acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária".

"Na eventualidade de se verificar deterioração do perfil de riscos que implique alteração do cenário prospectivo traçado para a inflação, neste momento, pelo Comitê, a estratégia de política monetária será prontamente adequada às circunstâncias", completa o documento.

Mercado externo

De acordo com a ata, a influência do mercado externo sobre o comportamento da inflação doméstica "poderia deixar de ser benigna" por conta das incertezas sobre o comportamento dos preços de ativos e commodities.

"O Copom entende que, a se confirmar a perspectiva de intensificação das pressões da demanda doméstica sobre o mercado de fatores, a probabilidade de que desenvolvimentos inflacionários inicialmente localizados venham a apresentar riscos para a trajetória da inflação poderia estar se elevando", completa.

No mercado interno, o Copom destaca que os principais riscos inflacionários são os efeitos defasados dos impulsos fiscais e de crédito injetados pelo governo para combater a crise econômica.

"O balanço dessas influências sobre a trajetória prospectiva da inflação será fundamental na avaliação das diferentes possibilidades que se apresentam para a política monetária", conclui.

O Copom voltará a se reunir nos dias 16 e 17 de março. A aposta do mercado financeiro é que a Selic comece a subir na reunião do conselho de abril.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u689181.shtml

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