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22/03/2010

BID apoia que FMI faça empréstimos mundiais de última instância



O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) afirmou que o FMI (Fundo Monetário Internacional) deveria se transformar, em casos de crise, em um ente que faz empréstimos mundiais de última instância para os países emergentes e, assim, assegurar que as nações solventes não passem por dificuldades.

Em um estudo divulgado neste domingo no marco da Assembleia Anual do BID, realizado na cidade mexicana de Cancún, o banco concluiu que "a disposição da comunidade internacional de proporcionar empréstimos de emergência durante a crise de 2009 representou um papel importante na prevenção do contágio financeiro na América Latina".

Por esta razão, a pesquisa, intitulada "As sequelas da crise: Lições de política e desafios próximos para a América Latina e o Caribe", coloca que "a fim de evitar futuras crises financeiras, as economias emergentes precisam contar no futuro com uma entidade que faz empréstimos internacionais que funcionem como um mecanismo financeiro de última instância".

Não se trata de criar um banco central do mundo, na medida em que o BID não coloca que esse organismo emita moeda alguma, mas de estruturar uma entidade que traga "o apoio necessário para satisfazer as obrigações financeiras a curto prazo de um país".

"Nos períodos de falta extrema de liquidez no mercado internacional de capitais, o fato de ter acesso a recursos de emergência é algo sumamente valioso", disse o vice-presidente de Setores e Conhecimento do BID, Santiago Levy, que participou do estudo.

"Ao contrário de outras crises anteriores, desta vez a comunidade financeira internacional mostrou desde o começo uma predisposição a prestar socorro aos mercados emergentes de uma forma oportuna, incondicional, preventiva e considerável", acrescenta a análise.

Segundo o BID, a disponibilidade internacional de recursos durante a crise afetou positivamente "as percepções do mercado sobre a capacidade dos países para superá-la, o que ajudou a aliviar as preocupações dos investidores, prevenir que se disparassem os diferenciais dos bônus e evitar graves contrações econômicas em muitos países".

Na visão do BID, para que um mecanismo dessa natureza funcione, só os governos que seguem "políticas monetárias, fiscais e cambiais acertadas deverão ser pré-aprovados para poder retirar fundos".

"O FMI é a instituição melhor localizada para administrar esse mecanismo", especifica o texto.

O BID considera que a linha de crédito flexível que o FMI lançou em abril de 2009, para ajudar de maneira "incondicional e a prazos mais longos" aos países com políticas adequadas que enfrentaram restrições de liquidez durante a crise, é um "grande passo" em direção ao estabelecimento de um mecanismo como o proposto.

Países como o México se beneficiaram dessa linha de crédito especial do FMI.

No entanto, o BID adverte que o financiamento a longo prazo de uma iniciativa desse estilo deve ser garantido, para reduzir a tentação dos países de continuar acumulando reservas internacionais.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u710103.shtml

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