12/04/2010
Mercado eleva expectativa de inflação pela 12ª semana
Os economistas do mercado revisaram para cima a perspectiva do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) para este ano pela 12ª semana seguida. Os profissionais acreditam que o índice chegue a 5,29% em 2010, segundo relatório Focus divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central. Na última semana a previsão era de 5,18%.
O relatório trouxe mudanças na projeção do IPCA para 2011. O índice subiu de 4,74% na última semana para 4,80%. Os números de inflação fogem da meta estipulada pelo Banco Central para os dois anos em 4,5%.
A expectativa de aumento na taxa básica de juros se manteve em relação ao último levantamento. Para o mercado, o Copom (Comitê de Política Monetária) elevará a taxa Selic (hoje em 8,75% ao ano) para 9,25% na próxima reunião no fim deste mês. Os economistas acreditam em uma taxa de 11,25% para o final do ano e de 11% para 2011.
O argumento do mercado de aumento na inflação ganha peso com a divulgação do IPCA de março divulgado na última semana pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Apesar de diminuição em relação a janeiro, o índice forçou o acumulado do trimestre para o maior patamar em sete anos (2,07%).
O acumulado dos 12 meses até março ficou em 5,17% e acima do centro da meta para este ano (4,5%). A alta foi puxada pelos preços dos alimentos com participação de dois terços do índice. O IBGE enxergou sinais de inflação de demanda nas estatísticas.
O Relatório Trimestral de Inflação divulgado há duas semanas mostrou que o próprio Banco Central elevou o patamar esperado para a inflação neste ano. O texto apontava IPCA em 5,2% para 2010 e 4,9% para 2011.
O aumento da expectativa de inflação dos técnicos do Banco Central sinaliza uma possível alteração nos juros básicos na próxima reunião do Copom. Já o mercado considera a mudança como certa.
Os principais elementos apontados pelo Banco Central como fatores de pressão nos preços são a demanda interna aquecida, aumento da utilização da capacidade instalada da indústria e recuperação no preço das commodities.
Maior crescimento
Os economistas ouvidos pelo Banco Central mostraram otimismo em relação ao crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). O relatório aponta a expectativa de 5,6% em 2010. No último levantamento, o mercado acreditava em 5,52%.
A expectativa ainda fica abaixo dos 5,8% de crescimento para o PIB previsto pelo Banco Central para este ano. O índice para 2011 foi mantido no relatório Focus em 4,5%.
As previsões para a taxa de câmbio em 2010 foram mantidas em R$ 1,80. Para 2011, também não houve alteração em relação ao apontado na última divulgação (R$ 1,90).
O relatório desta semana mostra queda de 7,14% para 7,11% no IGP DI (Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna) para 2010. A expectativa é que o índice termine 2011 em 4,70 %, mesmo número do último levantamento.
Já o IGP-M (Índice Geral de Preços Mercado) teve perspectiva de aumento pela décima terceira vez seguida. A previsão saiu de 6,8% para 7,69%. Os dois indicadores são usados no cálculo dos reajustes de contratos administrados, como contas de luz e aluguéis.
As previsões nas contas de comércio exterior não sofreram alterações em relação ao último boletim. Os economistas mantiveram a expectativa de superavit de US$ 10 bilhões balança comercial e o deficit de US$ 50 bilhões nas contas correntes em 2010.
A projeção de US$ 38 bilhões em investimentos estrangeiros diretos também foi mantida. A relação da dívida/PIB foi reduzida de 41,40% no último relatório para 41,35% no boletim desta semana.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u719414.shtml
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