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30/04/2010

Premier grego cita "sobrevivência" da nação para justificar ajustes



O primeiro-ministro Giorgos Papandreou mencionou nesta sexta-feira a "sobrevivência" da Grécia para justificar o plano de ajuste fiscal que o país terá que adotar para obter a ajuda financeira da UE (União Europeia) e do FMI (Fundo Monetário Internacional), que gera muitas tensões sociais.

As negociações na capital grega com a UE, o FMI e o Banco Central Europeu (BCE) sobre as medidas rigorosas, criticadas pelos sindicatos, estão na reta final.

Segundo uma fonte do governo grego, o acordo para obter uma ajuda, que chegaria a 120 bilhões de euros (US$ 160 bilhões) até 2012 está "muito próximo" e Atenas deve anunciá-lo "até domingo". A Comissão Europeia não descartou uma conclusão até mesmo no sábado.

"As medidas econômicas que devemos adotar são necessárias para a proteção de nosso país, para nossa sobrevivência, para nosso futuro, para que possamos permanecer de pé", disse Papandreou no Parlamento.

"É uma responsabilidade patriótica que tomaremos, qualquer que seja o custo político", completou, ao responder sobre a magnitude do ajuste fiscal exigido para liberar os recursos que salvariam a Grécia de declarar a moratória da dívida.

UE e FMI pedem ao governo da Grécia um plano de ajuste fiscal muito severo, com uma economia total que chegaria a 25 bilhões de euros em 2010 e 2011, segundo fontes sindicais informaram após um encontro com o premier.

O esforço orçamentário, sem precedentes na zona euro, permitiria à Grécia reduzir o déficit público de 13,6% do PIB no fim de 2009 a 4% no final 2011. Atualmente, o compromisso de Atenas é de ter um déficit de 5,6% do PIB ao fim do próximo ano.

Contágio

A perspectiva de uma aprovação rápida da ajuda internacional, após semanas de negociações e inquietações provocadas pelas dúvidas da Alemanha, principal contribuinte do plano, acalmou um pouco os mercados.

O temor crescente de propagação da crise da dívida grega a outros países da zona euro muito endeudados, como Portugal e Espanha, levou pânico aos mercados esta semana, o que fez os líderes europeus se apressarem na ativação da ajuda.

O mecanismo de ajuda prevê empréstimos de 45 bilhões de euros (US$ 60 bilhões) em 2010. A Eurozona entraria com dois terços, na forma de empréstimos bilaterais a uma taxa de 5%, e o FMI com o restante.

Os sindicatos gregos preparam as festas de 1º de maio e convocaram uma greve geral dos setores público e privado para 5 de maio.

"Temos que enfrentar um nivelamento sem precedentes desde o pós-guerra, não apenas dos salários, mas também dos direitos sociais e trabalhistas", declarou o presidente do principal sindicato de funcionários (ADEDY), Spyros Papaspyrou. "1º de maio será uma resposta, mas a resposta determinante será em 5 de maio", concluiu.

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