30/04/2010
Economia dos EUA tem expansão de 3,2% no 1º trimestre
O PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas por um país) dos Estados Unidos subiu 3,2% (dado anualizado) no primeiro trimestre deste ano, puxado principalmente pelos gastos dos consumidores. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira pelo Departamento do Comércio e ainda serão revisados.
Em 2009, a economia norte-americana registrou retração de 2,4%, o pior resultado desde 1946 --quando a queda foi de 10,9%. No quarto trimestre, no entanto, a economia cresceu 5,6% (dado anualizado), o melhor desempenho trimestral desde o período de julho a setembro de 2003, quando houve expansão de 6,9%.
O avanço no trimestre passado refletiu as contribuições positivas dos investimentos em estoques, das exportações e dos gastos do consumidor. Os dois primeiros, porém, tiveram resultado menor do que no trimestre anterior, o que resultou na desaceleração no ritmo de crescimento no período. Além disso, quedas nos investimentos residenciais e nos gastos dos governos estaduais e municipais contribuíram para o movimento.
A produção de veículos contribuiu com 0,52 p.p. (ponto percentual) para o desempenho do PIB no trimestre, após contribuir com 0,45 p.p. no terceiro.
Os gastos dos consumidores aumentaram 3,6% no trimestre passado, mais que o dobro do ritmo de 1,6% do quarto trimestre. O aumento do primeiro trimestre é o maior desde o primeiro trimestre de 2007. Os gastos com bens duráveis (com durabilidade mínima prevista de três anos) subiram 11,3%, contra alta de 0,4% no período imediatamente anterior.
Com bens não duráveis (como alimentos e vestuário) os gastos aumentaram 3,9%, pouco abaixo dos 4% vistos três meses antes. Os gastos com serviços cresceram 2,4%, após alta de 1% entre outubro e dezembro de 2009.
O índice de preços atrelado à leitura do PIB registrou alta de 1,7% no trimestre passado, acima/abaixo dos 2% vistos no trimestre imediatamente anterior. O núcleo do indicador (que exclui os preços de alimentos e energia), por sua vez, subiu 1,1% --ante 1,5% no período anterior, e ainda dentro da margem considerada adequada pelo Fed (Federal Reserve, o BC americano), de 2%.
As exportações de bens e serviços tiveram aumento de 5,8% no trimestre passado, bem abaixo dos 22,8% vistos um trimestre antes. As importações, por sua vez, cresceram 8,9%, menos que os 15,8% registrados entre julho e setembro.
Deficit
Na terça-feira, porém, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, alertou que o crescimento previsto para a economia americana no futuro não será suficiente para que o país supere seu enorme deficit orçamentário.
"Nenhuma previsão concreta permite pensar que o futuro ritmo de crescimento da economia americana será suficiente para reduzir [o deficit] sem que se modifique profundamente a política fiscal", declarou Bernanke durante um discurso em Washington.
"Não há lei mais simples que a da aritmética: para que o orçamento seja viável, qualquer que seja o nível de gastos, as receitas devem ser suficientes para sustentar esses gastos no longo prazo", completou Bernanke, segundo o texto de seu discurso entregue à imprensa.
O Estado federal americano registrou um deficit orçamentário de US$ 65,387 bilhões em março, em baixa de 65% em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando os analistas o situavam em 62 bilhões, segundo números oficiais.
Nos seis primeiros meses do exercício 2009-2010 (iniciado em 1º de outubro), o deficit ficou em US$ 716,99 bilhões no fim de março, 8% menos que no primeiro semestre de 2008-2009.
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