11/09/2009
Vale continua a liderar preferências em carteira recomendada de setembro
SÃO PAULO - As ações preferenciais classe A da Vale receberam mais uma vez o maior número de recomendações nas carteiras dos analistas para setembro, segundo levantamento realizado pela InfoMoney que incluiu 19 portfólios sugeridos por corretoras e bancos de investimentos.
Além da manutenção da posição da mineradora na liderança, Petrobras e Bradesco sustentaram a segunda e terceira posição no ranking, respectivamente, repetindo o resultado do mês anterior.
As carteiras selecionadas neste mês são de: Ativa, BB Investimentos, Bradesco, Credit Suisse, Coinvalores, Fator, HSBC, Itaú, Link, Omar Camargo, Planner, Senso, SLW, Socopa, Spinelli, TOV, UBS, Win e XP Investimentos.
Vale mantém primeiro lugar
Das 19 instituições, 15 listaram as ações da Vale entre suas sugestões, mantendo os ativos preferenciais da mineradora no topo da lista, como havia acontecido em agosto. Apesar de um cenário incerto, a solidez financeira da companhia e a possibilidade de melhora nos volumes exportados são apontados como alguns dos pontos positivos, e ajudam a impulsionar as recomendações dos papéis.
A Itaú Corretora, por exemplo, menciona que os ativos da Vale são negociados com desconto em relação às siderúrgicas, além de serem beneficiados pela expectativa de aumento de preços à vista do minério de ferro. Dessa forma, são os favoritos entre os analistas para obter exposição ao setor produtor de commodities. Da mesma maneira, a Win destaca que além da elevada margem de lucro do setor, a mineradora continuará lucrativa e recuperará os preços a partir de 2010, devido a retomada da demanda de minério de ferro sustentada pelas economias emergentes.
A TOV também reafirma a convicção nas perspectivas para a empresa no médio e longo prazo, ressaltando o portfólio de ativos de classe mundial da mineradora, sua solidez financeira e rápida resposta à dinâmica de recessão, o que possibilita à mineradora continuar gerando valor ao longo dos ciclos.
Já a Socopa destaca que apesar do fraco resultado operacional no segundo trimestre e o cenário desfavorável para a mineradora brasileira, acredita em uma melhora gradual nos volumes exportados. "As negociações com as siderúrgicas chinesas estão em andamento, mas não devem fugir dos descontos firmados até aqui, em razão da recuperação do preço spot do minério de ferro nos últimos meses" dizem os analistas.
A corretora Spinelli também manteve recomendação para os papéis da Vale, mesmo com o reajuste em seu portfólio em setembro, que teve como objetivo reduzir a exposição no segmento de commodities - vulnerável ao desempenho dos mercados asiáticos, até que fique claro o efeito da desaceleração do volume de crédito na China sobre os preços dos ativos e sobre a economia local.
Petrobras na vice-liderança
A Petrobras, por sua vez, sustentou a segunda posição obtida no mês de agosto - nos dezoito meses anteriores, os ativos da empresa lideraram as recomendações dos analistas. Entretanto, as ações da estatal continuam entre as preferências, com 11 recomendações. Vale mencionar que os papéis ordinários da empresa também receberam duas recomendações.
Segundo a Win, a empresa teve avanço no volume de petróleo extraído e suas reservas aumentaram significativamente após as recentes descobertas nas bacias de Júpiter e Tupi. Além disso, para a corretora, a elevação do preço do petróleo proporcionada pela perspectiva de recuperação da economia mundial deve impactar positivamente os balanços da estatal a partir do terceiro trimestre.
Vale lembrar que o Credit Suisse recentemente elevou a recomendação aos ADRs da Petrobras (PBR) para acima da média do mercado, assim como o preço-alvo por cada ativo para US$ 52,00. O banco prevê forte crescimento para a Petrobras nos próximos anos em função da exploração dos campos, ao incorporar a retomada da demanda mundial por petróleo através da recuperação econômica. "A Petrobras é uma das mais promissoras petrolíferas do mundo", enfatizam os analistas.
A equipe do banco suíço elogiou a proposta do novo marco regulatório para exploração dos campos do pré-sal e considera as medidas favoráveis à estatal principalmente no horizonte de longo prazo.
Os analistas da Socopa também destacam a aprovação do plano de negócios da companhia para os próximos cinco anos, e mencionam que a expectativa de novas descobertas no médio prazo fortalece a recomendação da corretora.
Na visão do UBS, a nova lei para a exploração dos campos do pré-sal, batizada como o "Novo Marco Regulatório", será favorável ao setor de energia brasileiro, principalmente para a Petrobras - mesmo com alguns riscos riscos regulatórios e exploratórios, como a incidência de poços vazios ou de difícil vazão, a volatilidade do preço do petróleo no mercado internacional, a mudança de mandato que acontece junto à eleição presidencial.
A equipe do banco acredita que a comissão do Senado não alterará drasticamente a proposta enviada para a exploração do petróleo, "um sinal positivo para os valuations das ações brasileiras de energia", ressaltam os analistas. Apesar da probabilidade de manter-se o viés negativo dos investidores quanto à proposta do governo em relação aos valores estabelecidos às transações privadas, os analistas acreditam que este impasse terá um impacto menor futuramente, o que não justifica tanta apreensão por parte dos investidores neste momento.
Os analistas do Morgan Stanley, por sua vez, reforçaram a sua recomendação de overweight (desempenho acima do mercado) para os ativos da estatal, ressaltando a intenção do governo em adquirir uma parcela maior da empresa. Segundo os analistas, os acionistas podem ser beneficiados pela apreciação do valor dos ativos.
Bradesco completa pódio
Com 8 recomendações, as ações preferenciais do Bradesco asseguraram a terceira posição. A Socopa, que aponta o Bradesco como um dos bancos mais bem preparados para o atual cenário, ressalta que com o sistema financeiro regulado, os bancos brasileiros saíram menos prejudicados dos impactos da crise financeira.
Segundo a Win, as perspectivas do banco para 2009 são positivas, graças à ampliação do crédito e do crescimento econômico brasileiro. Para os analistas, o Bradesco apresenta um bom nível de liquidez e mantém elevadas margens operacionais, além do fato das ações estarem descontadas.
Os analistas do JP Morgan apontam o Bradesco como "top pick" entre as instituições brasileiras, já que, além de estar "bem posicionado para se beneficiar da melhora das condições de crédito no Brasil, graças à sua sólida posição no mercado, sua vasta distribuição e pelo fato de que, ao contrário da maioria dos competidores, não está se submetendo a processos de fusões". O banco norte-americano elevou a recomendação dos ativos do Bradesco no início de setembro, de "underweight" (abaixo da média) para "overweight" (acima da média).
Fonte: economia.uol.com.br
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