11/09/2009
Perfil de crescimento da economia permanece inalterado, garante IBGE
RIO - A recuperação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no segundo trimestre, com alta de 1,9% em relação ao trimestre imediatamente anterior, não mudou o perfil de avanço que a economia do país experimentava no período anterior ao agravamento da crise internacional. O consumo das famílias continua como o principal impulso para o PIB do lado da demanda, enquanto na ótica da oferta a indústria ensaia uma recuperação, embora ainda abaixo dos níveis de um ano atrás.
De acordo com o coordenador de contas nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Roberto Olinto, o padrão de crescimento continua relacionado com o mercado interno. O consumo das famílias subiu 2,1% na comparação com o primeiro trimestre, enquanto o avanço chega a 3,2% frente ao segundo trimestre do ano anterior, o que representa a 23ª alta seguida neste tipo de comparação.
"O consumo das famílias é que vem sustentando o crescimento, puxado pelo aumento do crédito e da massa real de rendimentos", ressaltou Olinto, lembrando que a massa salarial real subiu 3,3% no segundo trimestre, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, enquanto o saldo de operações de crédito para pessoas físicas cresceu 20,3%.
A gerente de contas trimestrais do IBGE, Rebeca Palis, lembrou que o consumo das famílias também foi beneficiado no segundo trimestre pelas desonerações fiscais feitas pelo governo, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no setor automobilístico e na linha branca. Segundo ela, até então esse impacto era menor, com a desoneração apenas sobre os automóveis.
"As desonerações já tiveram efeito. No primeiro trimestre o efeito foi menor, mas nesse trimestre já entraram outros segmentos, como a linha branca, e isso contribuiu principalmente no lado do consumo das famílias. O consumo das famílias sempre ficou positivo, mas agora teve um desempenho melhor", destacou Rebeca.
A economista do IBGE também chamou a atenção para a volta da contribuição positiva do setor externo para o PIB. Segundo ela, o resultado do primeiro semestre apontou uma queda de 16,3% nas importações de bens e serviços, um desempenho inferior à queda de 13,1% das exportações de bens e serviços.
"Foi a primeira vez desde 2005 em que houve contribuição positiva do setor externo para o crescimento do PIB", argumentou Rebeca.
A indústria foi o setor que continuou com o pior desempenho. A alta de 2,1% frente ao primeiro trimestre mostra, segundo Rebeca, um efeito dos seguidos crescimentos do consumo das famílias, que acaba por "rebater" no setor industrial. Na comparação com o segundo trimestre do ano anterior, o resultado ainda é uma queda de 7,9%, enquanto no primeiro semestre o tomo chega a 8,6%.
"A indústria continuou com o pior desempenho, mas melhorou frente ao primeiro trimestre", ponderou Rebeca.
Dentro do setor industrial, a economista afirma que o pior desempenho esteve na produção de máquinas e equipamentos, principal razão para a queda recorde de 17% na formação bruta de capital fixo frente ao segundo trimestre do ano passado.
Fonte: economia.uol.com.br
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