17/06/2010
Ata do Copom aponta deterioração do cenário de inflação
SÃO PAULO, 17 de junho (Reuters) - O cenário prospectivo de inflação no Brasil se deteriorou desde a reunião de abril do Banco Central e tal movimento deve ser contido, disse o Comitê de Política Monetária (Copom) em sua ata nesta quinta-feira, acrescentando que os riscos para a inflação são essencialmente internos.
Em sua última reunião, na semana passada, o Copom decidiu elevar a taxa básica de juro em 0,75 ponto percentual pela segunda vez seguida, para 10,25% ao ano.
"O cenário prospectivo, a rigor, sofreu certa deterioração no início deste ano, uma dinâmica que teve continuidade desde a última reunião. Isso ocorreu independentemente de contribuições pontuais e sazonais para a elevação dos preços ao consumidor, bem como dos movimentos dos preços de alguns ativos domésticos", afirmou a ata.
"Os riscos para a consolidação de um cenário inflacionário benigno se circunscrevem essencialmente ao âmbito interno, por exemplo, os derivados da expansão da demanda doméstica, em contexto de virtual esgotamento da margem de ociosidade na utilização dos fatores de produção."
As projeções de inflação do Copom pioraram ligeiramente, segundo a ata, uma deterioração que "deve ser contida".
O Copom notou que o estreitamento do mercado de fatores decorre da aceleração dos ganhos reais de salários no passado recente em alguns segmentos e de maiores pressões de preços ao produtor. "Com efeito, esses desenvolvimentos podem exacerbar um quadro que já evidencia a presença de descompasso entre o crescimento da absorção doméstica e a capacidade de expansão da oferta."
Sobre a economia, o Copom avaliou que as perspectivas continuam favoráveis e que ela se encontra em um novo ciclo de expansão, acrescentando que ainda existem incertezas sobre o ritmo, que "deverão ser dirimidas ao longo do tempo".
Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre foi de 2,7% frente ao trimestre anterior e de 9% na comparação anual --maior aumento desse tipo de comparação desde 1996.
Em relação ao cenário internacional, o BC disse que a aversão ao risco nos mercados aumentou desde a última anterior, mas que as perspectivas para o financiamento externo do Brasil continuam favoráveis.
O Copom afirmou ainda que a questão fiscal é um dos elementos do contexto de tomada de decisões futuras da política.
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