05/01/2011
Bovespa retomou os 70 mil pontos e dólar subiu a R$ 1,664
SÃO PAULO - Depois do tom positivo da abertura do ano, o pregão de terça-feira experimentou alguma instabilidade nos mercados locais e externos. Ainda assim, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) garantiu alta, retomando os 70 mil pontos. Já no câmbio, o pregão foi agitado depois que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chamou coletiva para falar justamente sobre câmbio, mas nada de novo foi anunciado. E no mercado de juros futuros os contratos passaram por ajuste de alta após as perdas recentes.
No mercado externo, atenções voltadas à ata do Federal Reserve (Fed), banco central americano, que mostrou que por ora nada muda, ou seja, os juros seguem próximos de zero e os programas de estímulo continuam valendo.
O documento também indicou que o colegiado do BC continua otimista com relação às perspectivas de crescimento da economia e que o risco de deflação está descartado. Mas a ata aponta outros riscos, como a situação do mercado imobiliário e a continuidade da crise financeira na Europa.
Em Wall Street, o Dow Jones reverteu perdas e garantiu leve alta de 0,18%, a 11.691 mil pontos, renovando pontuações não observadas em mais de dois anos. Já o S&P 500 perdeu 0,13%, para 1.270, e o Nasdaq se desvalorizou 0,38%, a 2.651 pontos.
De volta à Bovespa, o Ibovespa teve alta de 0,51%, e fechou aos 70.317 pontos, máxima do dia. O giro financeiro atingiu R$ 7,03 bilhões. O índice avançou pelo quinto dia e já subiu 3,7% desde o dia 28 de dezembro.
No campo corporativo, Vale PNA girou mais de R$ 1 bilhão e fechou com alta de 1,86%, a R$ 50,83. No setor elétrico, as ações PNB da Cesp dispararam 6,18%, a R$ 28,50, em meio a rumores de privatização. O secretário estadual de Energia, José Aníbal, afirmou que o novo presidente da Cesp será Mauro Arce, que já foi presidente da Sabesp e diretor da própria empresa elétrica. Segundo Aníbal, a privatização da companhia só será discutida após a definição sobre a renovação das concessões do setor elétrico, que vencem em 2015.
Ainda no campo positivo, os ativos PN da Gol subiram 2,23%, a R$ 26,48. A companhia aérea divulgou seu boletim de perspectivas financeiras, em que mostrou que a expansão da classe média brasileira deve resultar em um crescimento da demanda doméstica do setor aéreo de até 15% em 2011. A Gol quer encerrar 2011 com crescimento de 14% de sua margem operacional e espera ampliar sua frota em quatro aeronaves, de 111 para 115.
No câmbio o pregão foi movimentado. O dia começou com cara de ajuste técnico depois do tombo de segunda-feira, que levou o dólar a R$ 1,65, preço não registrado desde setembro de 2008.
As compras se acentuaram por volta das 12h40, depois que o Ministério da Fazenda anunciou que o ministro Mantega falaria sobre câmbio às 15h30. Nesse intermédio de tempo, o dólar fez máxima a R$ 1,672, alta de 1,27%, mas já às 16 horas, minutos depois de o pronunciamento ter começado (por volta das 15h50), a moeda devolvia boa parte da alta. No fim, a moeda acabou encerrando o dia a R$ 1,664, ainda assim, valorização de 0,78%. O giro no interbancário ficou em US$ 2,2 bilhões.
Mantega não anunciou novas medidas. Apenas reforçou um discurso que vem fazendo desde 2010, de que o governo não deixará o dólar "derreter".
O ministro também reforçou o discurso de ajuste fiscal e que esse arrocho nos gastos vai ajudar a reduzir a inflação, o que pode resultar em juros menores no futuro e, também, em câmbio menos apreciado, já que juros menores são menos atrativos ao capital internacional.
Apesar de toda a boa intenção, alguns agentes de mercado não gostaram do desfecho dessa história. Afinal, o ministro criou uma baita expectativa, os preços se alteram e, de fato, nada acontece.
Tal reclamação está ligada ao momento escolhido para a entrevista, quando os mercados ainda estavam funcionando. Seria mais prudente anunciar e realizar a coletiva após o encerramento dos negócios no mercado à vista e futuro.
Ainda assim, fica a preocupação de que alguma medida pode vir, pois antes de subir o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em outubro do ano passado, o ministro falou bastante sobre o tema.
Na roda de pronto da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) o dólar pronto subiu 0,86% e fechou a R$ 1,6632. O volume somou R$ 129,5 milhões.
A coletiva de Mantega também teve algum impacto sobre os juros futuros. As taxas já subiam em função de um ajuste técnico, e fizeram as máximas, assim como o dólar, após o anúncio da tal coletiva. Os agentes adotaram postura cautelosa temendo que alguma medida que atingisse ingressos para renda fixa fosse anunciada.
No fim das contas, a curva fechou o dia apontando para cima, mas longe das máximas. Antes do ajuste final de posições na BM&F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em fevereiro marcava estabilidade a 10,82%. Março aumentava 0,03 ponto, a 10,96%. Abril subia 0,01 ponto, a 11,16%. Julho de 2011 também ganhava 0,01 ponto, a 11,63%. E janeiro de 2012, o mais líquido, apontava 12,02%.
Ente os mais longos, janeiro de 2013 avançava 0,02 ponto, a 12,24%, depois de marcar 12,28%. Janeiro de 2014 subia 0,04 ponto, a 12,09%. Janeiro de 2015 aumentava 0,06 ponto, a 12,01%. E janeiro de 2016 acumulava 0,03 ponto, a 11,88%.
Até as 16h10, foram negociados 554.335 contratos, equivalentes a R$ 48,37 bilhões (US$ 29,30 bilhões), em linha com o registrado no pregão anterior. O vencimento de janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 123.730 contratos, equivalentes a R$ 11,05 bilhões (US$ 6,69 bilhões).
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