24/09/2009
G20 abriu caminho para fim da crise e reforma do FMI
Algumas das decisões tomadas na cúpula dos países do G20, realizada em Londres em abril, foram fundamentais para que o mundo começasse a sair mais cedo do que o previsto da crise econômica, segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil.
Além disso, a cúpula do G20 reforçou o papel do FMI (Fundo Monetário Internacional) na economia mundial. O Fundo recebeu aportes de recursos que aumentaram a sua capacidade de emprestar dinheiro para países em dificuldades.
Os líderes das 20 maiores economias também anunciaram na cúpula de abril que anteciparão em dois anos a reforma de cotas do FMI, o que abre caminho para uma das principais reivindicações dos países emergentes, entre eles o Brasil: maior participação no Fundo. A próxima revisão de cotas do FMI, que acontece a cada cinco anos, será concluída até janeiro de 2011.
Na próxima reunião do G20, que acontece nesta semana em Pittsburg, os líderes das vinte maiores economias do mundo voltarão a discutir as reformas nas instituições internacionais que têm grande papel na administração da economia global.
Reforma do FMI
A reunião do G20 em Londres, há cinco meses, abriu espaço para uma reforma de vozes no FMI. A antecipação da reforma atende um pedido feito por países dos Brics --Brasil, Rússia, Índia e China-- que na véspera do encontro em Londres haviam dito que não contribuiriam para aportes extra de recursos para o Fundo até que houvesse uma revisão no sistema de cotas.
No entanto, durante o encontro do G20, os países dos BRICs recuaram e concordaram com o aporte extra. A revisão do Fundo, que acontece a cada cinco anos, foi antecipada para janeiro de 2011.
Para Arvind Subramanian, diretor da consultoria Peterson Institute for International Economics, sediada em Washington, a reforma do FMI é uma oportunidade para os países emergentes aumentarem a sua participação em um momento em que o papel do Fundo está sendo fortalecido.
"Eu acho que existe uma oportunidade [para maior participação dos emergentes no FMI], mas algumas coisas precisam acontecer", diz Subramanian.
"Os países emergentes precisam se afirmar [na economia mundial] e, especialmente, eu acho que a Europa precisa estar disposta a abrir mão de um pouco do seu poder. A Europa está desproporcionalmente representada no FMI."
"Nós não gostamos muito de falar isso, mas é inevitável que a Europa terá de ceder algum espaço", afirma Berglöf, principal economista do EBRD (Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento, na sigla em inglês).
Para os analistas, a China é o país que ganhará mais espaço no FMI, já que seu papel na economia mundial é hoje muito maior do que no passado, o que teria sido provado na última crise.
"Pelo seu esforço na crise e pelo seu papel em apoiar a recuperação [da economia mundial], a China será reconhecida e isso se refletirá na forma como essas instituições internacionais são gerenciadas. Nas novas estruturas que virão, haverá um papel maior para a China, e também para o Brasil e para a Índia, entre outros países", diz Berglöf.
O economista europeu acredita que a participação da China aumentará não apenas na redistribuição de cotas dos países, mas em outras formas mais profundas.
Parte dos fundos do FMI é formada por SDR ("Direitos Especiais de Saque", na sigla em inglês), que é uma mistura das principais moedas usadas no comércio internacional e nos mercados financeiros. Hoje os SDR são formados por combinações de quatro moedas: dólares, euros, libra esterlina e iene. O economista europeu acredita que o iuan chinês provavelmente fará parte desta combinação de moedas no futuro próximo.
Tanto Berglöf quanto Subramanian também afirmam que deve se esperar uma mudança na forma como é escolhido o diretor-geral do FMI. Hoje o nome é decidido apenas por líderes dos países desenvolvidos, seguindo uma tradição de indicar sempre um europeu para o cargo. Em contrapartida, o Banco Mundial é sempre chefiado por um americano. Para os analistas, esse processo deve se tornar mais transparente e abrangente na medida em que outros países aumentam sua participação no Fundo.
Fonte: folha.com.br
|
|
|