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28/09/2009

Começa hoje reserva de ações do Santander



Maior captação de dinheiro em curso no mundo, a oferta de ações do Banco Santander Brasil tem despertado o interesse dos investidores pessoa física, que deverão levar entre 10% e 20% do volume total dos papéis a serem colocados na Bolsa.

Para analistas, as ações têm potencial de valorização no longo prazo, dado o tamanho do banco e as perspectivas de retomada do crescimento do crédito no país. Mas não se pode esquecer que toda ação está sujeita às oscilações e incertezas próprias da Bolsa, além dos riscos inerentes à operação do Santander no Brasil.

Os papéis do Santander estão programados para chegar ao pregão da BM&FBovespa no dia 8 de outubro. As reservas para quem se interessar pelas ações do banco começam hoje. O investidor pessoa física poderá comprar entre R$ 3.000 e R$ 300 mil em ações.

Diferentemente de Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Bradesco, respectivamente os três maiores do setor, o Santander ainda não obteve os principais ganhos de sinergia, eficiência, lucro e rentabilidade após sua fusão com o Banco Real, comprado no final de 2007, avaliam analistas financeiros.

Por outro lado, o banco é subsidiária integral de uma das maiores instituições do mundo, com posição vantajosa para atuar em operações de financiamento internacional em relação aos concorrentes brasileiros. Tem experiência em trabalhar em mercados maduros, com juros baixos e mercado imobiliário desenvolvido.

"É um bom negócio, mas há alguns senões. A rentabilidade é ainda baixa, o lucro foi menor do que, proporcionalmente, o de BB, Bradesco e Itaú e tem a inadimplência mais alta entre seus pares. O banco teve de aumentar o provisionamento e isso machucou o lucro. Ele ainda é ineficiente em relação aos outros bancos. Mas, quando abrir no mercado, deve refletir seu potencial e ser precificado pelo que valerá lá na frente", diz João Augusto Salles, analista da consultoria Lopes Filho.

"Até agora, com Santander individual e Real individual, embora tenham ativos próximo a Bradesco e Itaú, o lucro ainda não foi tão importante quanto se imaginava. Vamos ver se juntos eles vão gerar um lucro em patamar próximo a esses outros bancos. Eles vão ter uma base patrimonial maior, mas vão ter que rentabilizar esse patrimônio. Vai ter muita cobrança", disse Luis Miguel Santacreu, analista de bancos da Austin Ratings.

Segundo analistas, os papéis do Santander têm tudo para ocupar um lugar de destaque entre os mais negociados na Bolsa, ao lado de Vale, Petrobras, BB e Itaú Unibanco.

Na avaliação de Luiz Antonio Vaz das Neves, analista da KNA Consultores, "o papel do Santander pode ser interessante para o pequeno investidor devido ao grande volume ofertado". "Espera-se que a ação tenha bastante liquidez, o que deve ser levado em consideração na hora de comprar uma ação. Na hora que o investidor quiser vender, tem mais chances de encontrar comprador."

Todavia, o analista lembra que o investidor não deve esquecer de que não existe garantia de alta para as ações, nem no dia de sua estreia.

Para Salles, as ações do Santander têm condições de subir até 40% em um ano, enquanto os papéis dos demais bancos têm potencial menor, em torno de 30%. Isso porque o Santander deve chegar ao mercado com múltiplo de 1,7 vez o seu valor patrimonial, enquanto BB, Bradesco e Itaú são negociados a 2,23 vezes, 2,77 vezes e 3,07 vezes, respectivamente.

Dividendos

Um dos trunfos do banco para tentar conquistar a adesão dos investidores será a política de distribuição de dividendos. Por lei, as companhias abertas têm de reservar um mínimo obrigatório de 25% de seu lucro para os dividendos destinados a seus acionistas. No prospecto, o banco afirma que os administradores pretendem recomendar à assembleia que eleve esse patamar para 50%.

Se a proposta vingar, o Santander terá a política de distribuição de lucros mais agressiva do setor. O Bradesco tem distribuído 30%, enquanto os estatutos do Itaú Unibanco e BB estabelecem o mínimo de 25%. No ano passado, o Bradesco distribuiu 35% do lucro, o Itaú Unibanco, 32%, e o BB, 40%.

Fonte: folha.com.br

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