30/09/2009
Mudanças para enquadrar empresas de cartões dividem equipe econômica
A regulamentação da indústria de cartões de crédito dividiu a equipe econômica do governo Lula. Enquanto o Banco Central defende medidas mais brandas, que mexem de forma mais geral na estrutura de funcionamento do setor, os ministérios da Fazenda e da Justiça querem regras mais específicas, que imponham limites e levem à redução de custos.
O mal-estar na área econômica aumentou, ontem, com a divulgação pelo jornal "Valor Econômico" de medidas que seriam adotadas nos próximos dias. Elas foram classificadas de "muito frouxas" por um técnico envolvido na discussão e representariam apenas a "autorregulamentação do setor".
Segundo a Folha apurou, a versão final da proposta ainda não está concluída e a divulgada ontem seria uma "informação parcial" do que vem sendo analisado. A proposta definitiva ainda depende do aval dos ministros que comandam as três áreas envolvidas.
Ela vai além da quebra do monopólio no credenciamento dos comerciantes que operam com cartões, da unificação de sistemas, do estímulo ao compartilhamento dos terminais eletrônicos e da definição em lei de que o BC é o regulador oficial dessa indústria.
Nos bastidores do governo, a antecipação dessas sugestões -algumas feitas pela Abecs (entidade que representa o setor)- foi atribuída a técnicos do BC. Por isso, ontem pela manhã, o diretor de Política Monetária do banco, MárioTorós, tentou aparar as arestas em telefonema com colegas da Fazenda e da Justiça.
Ficou acertado que, nos próximos dias, será divulgada uma versão final do diagnóstico desse mercado, apresentado parcialmente em março e reavaliado depois de debates com o setor.
O documento, chamado de "peça técnica", não irá propor nenhuma medida específica.
Fonte: folha.com.br
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