13/10/2009
Bovespa bateu 64 mil pontos na sexta-feira e subiu mais de 70% no ano
SÃO PAULO - A sexta-feira começou com viés de baixa nos mercados brasileiros, mas os agentes não encontraram razão suficiente para as vendas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ou para a compra de moeda americana. Com isso, o Ibovespa fez nova máxima para 2009, acima dos 64 mil pontos, e o dólar marcou nova mínima, a R$ 1,737. Com dinâmica própria, os contratos de juros futuros seguiram acumulando prêmio, registrando máximas para os últimos cinco meses. Sem indicadores de peso na agenda do dia, as atenções se concentraram nas declarações feitas na quinta-feira à noite pelo presidente do Federal Reserve (Fed), banco central americano, Ben Bernanke, sobre taxa de juros.
Bernanke disse que só reverterá o curso e apertará a política monetária " quando a perspectiva de recuperação econômica melhorar o suficiente " . Pelo comportamento dos investidores, a interpretação dada é que não haverá mudança na taxa básica da economia americana tão cedo, já que emprego e consumo seguem deprimidos. Na Bovespa, os carros-chefe garantiram os ganhos da jornada. O Ibovespa subiu 0,49%, para 64.071 pontos. O volume financeiro, no entanto, foi baixo, somando apenas R$ 4,78 bilhões.
Tal pontuação é a maior desde 30 de junho de 2008, quando o Ibovespa marcou 65.017 pontos. Na semana, o índice subiu 4,74%, elevando o ganho acumulado em 2009 para 70,63%.
Um operador de mercado que prefere não se identificar comentou que o mercado brasileiro não cansa de dar demonstrações de força e já se aproxima da meta de valorização do ano reestipulada por alguns agentes em 65 mil pontos. Vale lembrar que a meta inicial era aos 60 mil pontos, conquistados em 16 de setembro.
Em Wall Street, as compras se acentuaram no final do pregão e os índices marcaram novas máximas para o ano. O Dow Jones fechou em alta de 0,80% na sexta-feira, aos 9.864 pontos. O S & P 500 avançou 0,56%, para 1.071 pontos. Já o Nasdaq ganhou 0,72%, a 2.139 pontos. Na semana, o Dow Jones ganhou 4%, o S & P e o Nasdaq garantiram acréscimo de 4,5% cada.
Conforme jargão de mercado, o dólar comercial andou de lado durante a maior parte do pregão até encerrar com leve baixa de 0,11%, a R$ 1,735 na compra e R$ 1,737 na venda. Na semana, a perda ficou em 2,31%. Em outubro, a moeda já recua 1,98%.
Apesar de pouco expressiva, a queda foi suficiente para a moeda americana marcar nova mínima para o ano. Tal valor de fechamento não era registrado desde 8 de setembro de 2008, quando o dólar valia R$ 1,735.
Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar caiu 0,08%, para fechar a R$ 1,736. A bolsa corrigiu a cotação transmitida para o encerramento dos negócios de um dia antes. A divisa fechou a R$ 1,7374 no mercado à vista da BM & F e não em R$ 1,7359, como havia sido inicialmente informado.
Voltando ao pregão de sexta, o volume negociado na roda de " pronto " da bolsa subiu 30%, para US$ 230 milhões. Já no interbancário os negócios recuaram 18%, para US$ 1,9 bilhão.
Os indicadores de inflação ficaram abaixo do esperado, mas isso não faz preço no mercado de juros futuros na sexta-feira da semana passada. Os contratos seguiram acumulando prêmio de risco, marcando novas máximas para últimos cinco meses.
Segundo o vice-presidente de tesouraria do Banco WestLB, Ures Folchini, as curvas não perdem inclinação porque a agenda do mundo é de elevação de juros. No front externo, crescem os comentários de que o Brasil e Coreia do Sul serão os próximos países a subir a taxa básica. " O prêmio de risco parece exagerado, mas, dado o ambiente, ele vai continuar elevado " , resumiu.
Pelo lado doméstico, Folchini aponta que o humor entre os economistas está mudando. A cada dia que passa, as expectativas quanto ao tamanho do aperto monetário que poderá ser implementado são revisadas para cima. O tesoureiro lembra que, até dois meses atrás, o discurso era de que " talvez " houvesse uma alta na Selic no segundo semestre de 2010. Agora, o aperto já é dado como certo, as apostas se anteciparam e a amplitude do aperto aumentou.
O especialista acredita que o próximo boletim Focus já pode trazer novo aumento na projeção de inflação e taxa de juros em 2010. " Vai chegar um momento em que o BC vai ter de agir para conter as expectativas " , explica.
Na visão de Folchini, o início do aperto monetário será dado pelo comportamento das expectativas e da atividade econômica. Já o tamanho do ciclo depende de uma série de variáveis, entre elas o início da alta, o comportamento da inflação e o ajuste de juros em outros países do mundo, como Estados Unidos.
Na agenda doméstica, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) apontou alta de 0,10% na primeira medição do mês. Acabou bem abaixo das previsões, que se concentravam em alta de 0,25%. A surpresa positiva veio com os preços no atacado, que reverteram tendência de elevação.
Inflação civilizada, também, pela medição da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação ao consumidor na cidade de São Paulo, desacelerou de 0,47% na medição inicial de setembro para 0,12% na primeira leitura de outubro. No fim do mês passado, o IPC aumentou 0,16%.
Ao final do pregão na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava acréscimo de 0,05 ponto percentual, a 10,45%. Já o vencimento para janeiro de 2012 ganhou 0,04 ponto, a 11,48%. E janeiro de 2013 projetava 11,97%, avanço de 0,09 ponto.
Entre os vencimentos curtos, janeiro de 2010 subiu 0,01 ponto, marcando 8,70%. Julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, marcou ampliação de 0,06 ponto, projetando 9,39%. E novembro de 2009 não foi negociado.
Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 493.175 contratos, equivalentes a R$ 44,85 bilhões (US$ 25,76 bilhões), queda de 41% sobre o registrado na quinta-feira. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 140.435 contratos, equivalentes a R$ 12,43 bilhões (US$ 7,14 bilhões).
Fonte: uol.com.br/economia
|
|
|