22/10/2009
Usiminas prevê terminar o ano com uso de até 90% da capacidade instalada
A Usiminas aposta em consolidação da recuperação da economia nos próximos meses e espera terminar o ano com uso de até 90% de sua capacidade instalada de produção de aço.
A indústria siderúrgica foi fortemente afetada pela crise global que se agravou em setembro do ano passado, após o colapso do banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers. Com o mundo em recessão, a demanda por aço se retraiu e usinas de muitos países cortaram produção.
Nos meses recentes, com a melhora das perspectivas da economia global, a procura por produtos siderúrgicos começou a aumentar e os preços vêm se recuperando.
A Usiminas não informou a utilização atual em suas usinas. Em julho, a siderúrgica reativou dois altos-fornos em suas unidades industriais de Ipatinga (MG) e Cubatão (SP).
"Com um cenário mais favorável, a companhia deverá alcançar entre 80% e 90% de sua capacidade até o final de 2009, mantendo ainda um dos altos-fornos da usina de Ipatinga inoperante, até que se confirme o crescimento sustentável da demanda", informou a companhia em relatório que acompanha o resultado do terceiro trimestre, divulgado no final da noite de quarta-feira.
A Usiminas teve lucro líquido de R$ 454 milhões de julho a setembro, queda de 23% na comparação com igual período de 2008, mas avanço em relação ao ganho de 369 milhões de reais apurado no segundo trimestre deste ano. Parte importante do lucro no terceiro trimestre veio na linha financeira, com resultado líquido positivo de R$ 243 milhões, com a valorização do real ajudando a dívida em moeda estrangeira.
Ao comentar o desempenho nos três meses até setembro, a diretoria da Usiminas destacou a evolução do resultado ante o período imediatamente anterior, e não contra o terceiro trimestre de 2008.
"O aumento do volume de produção de aço bruto foi de 93% e o volume de vendas cresceu 43%, quando comparados aos do segundo trimestre do ano. Passado, portanto, o momento mais crítico, os resultados econômicos da Usiminas começam a dar também sinais de recuperação. A geração de caixa do trimestre, medida pelo Ebitda, registrou expressivo aumento de 220% em relação ao trimestre anterior, alcançando R$ 374 milhões", salientou a Usiminas.
A siderúrgica continuou os esforços para reduzir estoques e cortar custos.
No terceiro trimestre, o inventário teve diminuição de R$ 573 milhões, acumulando no ano um total de R$ 1,4 bilhão, basicamente relacionado a matérias-primas, insumos e produtos em processo e acabados.
Em relação ao programa de redução de despesas na área industrial, que vem sendo implementado, a Usiminas informou ter identificado potencial de redução de custos de até R$ 1,4 bilhão, com previsão de captura em 2009 de pouco mais de R$ 509 milhões. Até setembro, o total obtido com o plano foi de R$ 443 milhões, conforme a empresa.
Apesar de apresentar um cenário mais otimista à frente, a Usiminas mencionou preocupação com o excesso de capacidade produtiva de aço no Brasil e no mundo, além do aumento de importações, que impõe pressão sobre os preços no mercado interno.
Fonte: folha.com.br
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