13/11/2009
BRF lucra no terceiro trimestre, apesar de queda no mercado externo
A Brasil Foods, uma das maiores companhias de alimentos processados do mundo, registrou lucro líquido de R$ 211 milhões no terceiro trimestre, ante prejuízo de R$ 1,63 bilhão no mesmo período do ano passado, informou a companhia nesta quinta-feira.
Esse é o primeiro anúncio de resultados da empresa que considera os números somados de Perdigão e Sadia, esta última incorporada pela primeira no início deste ano. O prejuízo do terceiro trimestre do ano passado inclui as perdas que a Sadia registrou com operações de derivativos cambiais.
Os resultados do trimestre poderiam ter sido melhores não fosse a fraqueza registrada no mercado externo, ainda sob o efeito da crise mundial.
"O lucro foi devido ao impacto positivo do câmbio sobre a exposição líquida da companhia em dólares. O que foi negativo (no passado), no caso da Sadia, dessa vez foi positivo," afirmou diretor financeiro da BRF, Leopoldo Saboya.
Os preços e volumes mais baixos de carnes vendidas no exterior, no entanto, pressionaram os resultados da companhia. E a força do mercado interno, que representou 58% das vendas da empresa, evitou maiores perdas na parte operacional, explicou Saboya.
No Brasil, os volumes de processados vendidos cresceram 6,3%, enquanto os preços ficaram estáveis, contra valores elevados no mesmo período de 2008, antes de a crise se agravar.
Já no mercado externo, a companhia registrou queda de 12,6% em volumes, contra o terceiro trimestre do ano passado, e os preços tiveram recuo de 17%.
Assim, o lucro bruto da BRF caiu 8% na comparação com o mesmo período de 2008, para R$ 1,1 bilhão.
"Ainda vemos o ciclo de ajuste do mercado (externo) que está se mostrando mais duradouro do que previamente imaginado," disse o diretor.
Mesmo assim, Saboya vê uma melhora no mercado externo na comparação com o segundo trimestre. No terceiro período do ano, a empresa conseguiu repassar 11% de alta para os preços em dólares, ante o trimestre anterior.
Em valores, as vendas no mercado externo caíram 12% no trimestre, para R$ 2,3 bilhões. Já no interno a empresa viu aumento de 2%, para R$ 3,8 bilhões.
O Ebitda (sigla em inglês para os ganhos antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) foi de R$ 291 milhões no trimestre encerrado em setembro, ante resultado pro forma de R$ 336 milhões em igual período de 2008.
A receita líquida da companhia foi de R$ 5,3 bilhões no período, contra montante pro forma (incluindo Sadia) de R$ 5,6 bilhões no terceiro trimestre de 2008 --o pro forma consolida informações integrais da Sadia como se a incorporação de ações tivesse ocorrido em primeiro de janeiro de 2008.
A propósito do processo de aprovação da compra da Sadia pela BRF (ex-Perdigão), o executivo reafirmou a expectativa da empresa de que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprove o negócio durante o primeiro trimestre de 2010.
Fim do ano
"Agora estamos conseguindo aumentar os preços em alguns mercados, mas ainda sentimos dificuldades," disse o executivo, prevendo apenas uma melhora gradual em volumes nos próximos meses.
Um mercado especialmente afetado é a Europa, destacou Saboya.
No acumulado do ano até setembro, a empresa registra ao todo uma perda de 7,9% nos volumes exportados, e uma redução de 22% nos preços em dólares.
Sem querer estimar resultados para 2009, ele afirmou que a geração de caixa deve fechar o ano em um patamar inferior na comparação com 2008, por conta do fraco mercado externo. De outro lado, as vendas no país estão firmes e apontam para um final de ano melhor do que o de 2008.
O Ebitda no acumulado do ano foi de 852 milhões de reais, contra R$ 1,3 bilhão no mesmo período do ano passado (pro forma). "Há uma diferença importante a se considerar," disse Saboya, explicando que dificilmente a empresa conseguirá tirar essa diferença até o fim de 2009.
Fonte: folha.com.br
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