19/11/2009
Americano prefere comprar ações do Brasil nos EUA a investir na Bovespa
Os investidores norte-americanos preferem aplicar em ADRs (certificados de ações emitidas fora dos EUA) de empresas brasileiras na Bolsa de Nova York a colocar seu dinheiro nas ações de companhias no mercado nacional, em um caso único entre os principais destinos das aplicações dos EUA.
No fim do ano passado, os ADRs de companhias brasileiras representavam 56% da carteira que os investidores americanos tinham em papéis de empresas nacionais, de acordo com o Tesouro dos EUA.
Esse perfil de investimento em que mais da metade das aplicações vai para ADRs não se repete em nenhum dos 15 países que têm mais papéis compradas pelos norte-americanos --o Brasil é o décimo principal destino, em uma lista que inclui Bermudas e ilhas Cayman, que são paraísos fiscais.
Entre os principais, a Holanda é a menos distante do perfil brasileiro: 35% dos papéis que os americanos compram de empresas do país são ADRs.
Para ter uma ideia, os americanos tinham US$ 2,75 trilhões investidos em papéis de companhias estrangeiras no ano passado (um valor que caiu pela metade devido à crise nas Bolsas globais e que ainda assim é próximo ao PIB da França, o quinto maior do mundo). Desse montante, 17%, ou US$ 465 bilhões, foram para ADRs.
Na realidade, apesar de estar mudando (em 2003, 61% do investimento americano em empresas brasileiras ia para ADRs), o perfil das aplicações nas companhias nacionais mais parece com o das em países considerados mais instáveis. No caso da Argentina, por exemplo, 82% do investimento norte-americano em papéis de companhias ia para esses certificados em 2008. Em El Salvador, o percentual era de 92%, e, no Líbano, de 88%.
Essa maior procura também ajuda a explicar por que os ADRs das empresas brasileiras estão entre as mais valorizadas e compõem o portfólio de fundos importantes.
Os papéis ordinários e preferenciais da Petrobras têm, respectivamente, o segundo e o terceiro maior valor de mercado entre os ADRs em Nova York. Itaú Unibanco está em sétimo, e a Vale, em oitavo.
Fonte: folha.com.br
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