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27/11/2009

Crise de Dubai não chega ao Brasil, diz Mantega



O abalo nos mercados financeiros provocado pela proposta de Dubai de adiar os pagamentos de dívidas é passageiro e não terá maiores consequências para o Brasil, disse nesta quinta-feira (26) o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

"Acho que não vai pegar. Isso [medo de calote] mexeu um pouco com os mercados, mas acho que aqui não vai ter maiores consequências", disse o ministro a jornalistas, após participar de evento com banqueiros.

Falando à Reuters, o presidente-executivo do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, disse também não acreditar em maiores reflexos de Dubai sobre o Brasil.

"Foi até melhor que essas notícias vieram num dia de feriado nos Estados Unidos [Dia de Ação de Graças]", que paralisou os negócios em Wall Street, comentou.

"Assim dá tempo de os investidores pensarem melhor", disse Trabuco, ao considerar que não há exposição de bancos brasileiros naquele mercado.

A empresa de investimentos estatal Dubai World admitiu na noite de quarta-feira (25) sua incapacidade para honrar obrigações financeiras ao pedir uma moratória da dívida. O emirado indicou então sua intenção de pedir aos credores de seu conglomerado Dubai World seis meses de moratória para o pagamento de uma dívida.

"A Dubai World tem a intenção de pedir aos que estão entre os seis credores e aos credores da Najeel que esperem ao menos até 30 de maio de 2010 para o pagamento de dívidas vencidas", afirmou em um comunicado o Fundo de Apoio Financeiro de Dubai, que vigia os efeitos da crise na economia do emirado.

A Najeel, uma das gigantes do setor imobiliário do emirado, que é controlada pela Dubai World, deve pagar em dezembro quase US$ 3,5 bilhões de dívida sob a forma de obrigações islâmicas.

Também na quarta-feira o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que o Brasil "tem condições de sair com sucesso de uma crise externa", durante palestra no Ibef (Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças) em Brasília.

Meirelles disse que, tendo passado pela crise, o governo brasileiro já começa a pensa nos desafios a longo prazo que o país pode enfrentar. "Começamos a perder o interesse pela crise e isso é excelente", afirmou.

O presidente do BC reforçou que o Brasil saiu da crise rapidamente por dedicar-se a uma reorganização financeira do Estado brasileiro e a metas ajustadas de inflação. Além disso, ele ressaltou que o governo acumulou um colchão de liquidez com os depósitos compulsórios.

Fonte: folha.com.br

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