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30/11/2009

Subida de juros não deve parar mudança nos fundos



O esperado retorno da taxa básica de juros brasileira para o patamar de 10% em 2010 não deve alterar a mudança de perfil que tem marcado a indústria de fundos nacional nos últimos anos. O que tem ocorrido na última década é a diminuição da participação das aplicações que rendem juros, enquanto fundos que carregam ações, além da previdência privada, ganharam maior visibilidade.

Em 2008, com o desabamento da Bolsa de Valores e a escalada dos juros, o mercado de fundos freou a transformação que têm sofrido com maior intensidade desde 2000. Porém, com o recuo das taxas de juros e a recuperação das ações neste ano, o ritmo anterior começou a ser recuperado.

A participação dos fundos DI e de renda fixa no mercado, que alcançava 71,38% do total em 2000, está atualmente em 41,26%. Essas são as duas categorias formadas majoritariamente por títulos públicos e privados que rendem juros.

No período, a participação dos fundos de ações foi de 8,12% do total para 11,83%. Outra categoria que tem ganhado cada vez mais destaque são os multimercados, que passaram de 14,95% em 2000 para 24,15% neste ano.

Os multimercados são fundos que podem ter em sua composição tanto ações quanto papéis que pagam juros ou mesmo que sigam o câmbio.

"Ações e multimercados têm realmente ganhado espaço e isso é um indicativo de que o brasileiro está aceitando mais risco na hora de investir, na tentativa de conquistar retornos mais interessantes", avalia a consultora de investimentos Márcia Dessen, da BMI (Brazilian Management Institute).

Houve uma época em que o investidor contava apenas com fundos de ações para aplicar. No começo da década de 80, surgiu a renda fixa e logo abocanhou metade do mercado.

Quando chegaram os anos 90, a renda fixa alcançou 95% do mercado e as ações foram encolhendo cada vez mais. Até que, em 95, as ações representavam apenas 2,5% da indústria de fundos. O auge recente dos fundos acionários ocorreu em 2007, quando passaram a representar 15% do total. A crise de 2008 fez a categoria perder espaço -desceu a cerca de 10%-, que voltou a ser reconquistado neste ano.

"A queda dos juros veio para ficar. Em 2010, pode até se concretizar o ajuste esperado, mas não vai haver taxas como as que víamos há alguns anos. O investidor tem de entender que há um preço para manter seus ganhos e terá de correr mais riscos", diz o administrador de investimentos Fábio Colombo.

Correr mais riscos significa reservar parte das economias para os investimentos de menor estabilidade. As ações representam o grande risco do mercado de fundos brasileiro, enquanto os fundos DI são as aplicações que oferecem as menores surpresas.

Enquanto os juros estavam em níveis mais altos, os investidores sentiam menor necessidade de arriscar. Mas hoje a Selic está em seu piso, a 8,75% ao ano. Em 2005, rondava os 20%.

Comodidade

"Costuma-se afirmar que o brasileiro é um investidor conservador, que não gosta de riscos. Porém, o que a realidade mostra é que sempre tivemos juros muito elevados, que davam conforto para o investidor, que ganhava deixando seu dinheiro parado", afirma Dessen.

Apesar da mudança de perfil que tem sido notada no mercado de fundos, nenhum analista afirma que as aplicações de maior risco vão tomar o lugar dos fundos conservadores, como a renda fixa e o DI.

Nessa avaliação, o investidor não deve alocar todas suas economias em ações ou multimercados. Uma parcela deve ser reservada para aplicações em que não há risco de fazer as economias evaporarem.

Um exemplo de risco foram as ações da Rossi Residencial em 2008, quando despencaram 83,60%. Quem tivesse apostado R$ 15 mil nesses papéis no ano passado, teria chegado ao final de 2008 com R$ 2.460.

Fonte: folha.com.br

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