02/12/2009
Obama diz que nova estratégia para o Afeganistão custará US$ 30 bi
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse no discurso à nação feito ontem (1º) que sua nova estratégia para a guerra do Afeganistão, que inclui o envio de 30 mil soldados a mais ainda no primeiro semestre de 2010, deverá custar cerca de US$ 30 bilhões (mais de R$ 51 bilhões) no próximo ano. "Irei trabalhar de perto com o Congresso para tratar dos custos, conforme trabalhamos para baixar nosso deficit", disse.
"Se eu não pensasse que a segurança dos Estados Unidos e do povo americano está em jogo no Afeganistão, eu iria, com alegria, ordenar que cada um de nossos militares voltasse para casa amanhã", disse. "Não foi uma decisão fácil."
"Estamos no Afeganistão para evitar que um câncer, mais uma vez, se espalhe por todo o país. Mas o mesmo câncer também criou raiz na região da fronteira com o Paquistão. E é por essa razão que precisamos de uma estratégia que funcione dos dois lados da fronteira."
O discurso teve como objetivo anunciar à população americana a nova estratégia de Obama para a luta que já dura oito anos e que vive seu momento mais violento. Apenas em outubro, o total de soldados americanos mortos foi o maior desde o início do conflito, 55. As forças da Otan (aliança militar ocidental) também registraram um número maior de mortes em 2009 do que em qualquer ano anterior, com mais de 500 baixas.
"Quando eu assumi, nós tínhamos pouco mais de 32 mil americanos servindo no Afeganistão, em comparação com 160 mil no Iraque, no auge da guerra. Os comandantes no Afeganistão pediram repetidamente por apoio para lidar com a volta do Taleban, mas esses reforços não chegaram", afirmou o presidente, em defesa de sua decisão de elevar o número de militares.
"O Afeganistão não está perdido, mas, por anos, andou em marcha ré. Não há uma ameaça iminente contra o governo, mas o Taleban ganhou força. A Al Qaeda não voltou nos mesmos níveis em que estava antes de 11 de Setembro, mas mantém bastiões ao longo da fronteira. [...] Em resumo: o status quo não é sustentável."
"[Não enviar mais soldados] iria simplesmente manter o status quo ao qual estamos presos e permitir uma lenta deterioração das condições lá. No final, sairia mais caro e só prolongaria a nossa estada no Afeganistão, porque nós jamais seríamos capazes de produzir das condições necesárias para treinar as forças de segurança afegãs", defendeu.
No discurso, o presidente anunciou ainda que espera iniciar a retirada de suas tropas já em julho de 2011 e, em trecho voltado aos afegãos, reafirmou que os EUA são "um parceiro, e não um patrão" e não têm interesse em ocupar o Afeganistão. "Eu quero que o povo afegão entenda: a América busca um término para essa era de guerra e de sofrimento."
Conforme Obama, sua nova estratégia está fundamentada em três pilares: um esforço militar que crie as condições para transição; um movimento civil que reforce ações positivas; e uma parceria efetiva com o Paquistão.
No que se refere ao presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, o americano reafirmou que, embora a eleição tenha sido marcada pelas denúncias de fraude, o governo é "consistente" com as leis e a Constituição afegãs. "Vamos apoiar esforços do governo afegão de abrir as portas para talebans que deixarem a violência e respeitarem os direitos humanos dos seus compatriotas", disse o presidente.
Nesta terça-feira, Obama conversou por telefone não só com Karzai mas também com o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, sobre o anúncio que faria horas mais tarde.
Fonte: folha.com.br
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