10/12/2009
Copom mantém taxa de juros em 8,75% pela 3ª vez ao ano
O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu nesta quarta-feira, por unanimidade, manter a taxa básica de juros (Selic) nos atuais 8,75% ao ano. A decisão, tomada na última reunião do conselho no ano, já era esperada pelo mercado financeiro e pelo governo.
"Levando em conta, por um lado, a flexibilização da política monetária implementada desde janeiro e, por outro, a margem de ociosidade remanescente dos fatores produtivos, entre outros fatores, o comitê avalia, neste momento, que esse patamar de taxa básica de juros é consistente com um cenário inflacionário benigno."
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Nesta nota, o Copom especificou a necessidade de manter a taxa "neste momento", o que pode indicar uma mudança nas avaliações futuras.
Foi a terceira reunião consecutiva em que o Copom resolveu manter a taxa inalterada, após cinco cortes seguidos na Selic entre janeiro e julho. A primeira manutenção ocorreu em 2 de setembro e a segunda na última reunião, no dia 21 de outubro.
Menor taxa
A atual taxa é a menor da história. Os cinco cortes realizados até julho foram a maior sequência de cortes desde o início do governo Lula, em 2003. Naquela época, no entanto, os juros estavam em quase 30% ao ano.
No início de 2009, os juros estavam em 13,75% ao ano. Em janeiro, o Copom fez o primeiro corte desde a piora da crise econômica a partir de setembro, para 12,75% a.a.. Na reunião de março, os juros caíram novamente, para 11,25% a.a.
Em abril e junho os cortes foram de um ponto percentual. Na reunião de julho, no entanto, o BC reduziu a intensidade do corte para 0,5 ponto percentual --chegando ao patamar atual-- e indicou que não haveria mais nenhuma redução dos juros neste ano.
O Copom se reúne a cada 45 dias e terá sua primeira reunião de 2010 nos dias 26 e 27 de janeiro.
Previsão
A manutenção da taxa de juros já era esperada pelo mercado financeiro. Na pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central na última segunda-feira, os economistas previram a Selic em 8,75% no fim deste ano. Para o fim de 2010, porém, o mercado elevou a previsão em relação à semana anterior, passando de 10,5% ao ano para 10,63% ao ano.
Nesta quarta-feira, o ministro Guido Mantega (Fazenda) disse que o governo trabalha com a manutenção da Selic em 8,75% também em 2010, porque a inflação está sob controle.
"O Banco Central vai olhar o comportamento da inflação e o comportamento está bom. Eu trabalho com a manutenção da taxa em 8,75% no próximo ano porque a inflação está sob controle", afirmou.
Inflação
A previsão de aumento nos juros em 2010 feita pelo mercado se deve à expectativa de um maior crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2009 e 2010, o que pode aumentar o consumo e pressionar os preços dos produtos, fazendo com que a autoridade monetária eleve a Selic para controlar a inflação.
Para 2010, o mercado passou a prever o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 4,48%, ligeiramente abaixo dos 4,5% estipulados como meta pelo governo. Para este ano, a previsão é de 4,26%, acima dos 4,25% previstos anteriormente.
No último relatório de inflação, divulgado pelo BC no fim de setembro, a expectativa do órgão é que a inflação termine 2010 em 4,4%, acima dos 3,9% previstos no relatório de três meses antes. Para este ano, a projeção é de inflação em 4,2%, contra os 4,1% da previsão anterior.
Nesta quarta, o IBGE informou que nos últimos 12 meses, o IPCA acumula alta de 4,22%. De janeiro a novembro, a inflação foi de 3,93%, ante 5,61% em igual período no ano passado.
PIB
As projeções de juros e inflação maiores decorrem da expectativa de um melhor desempenho da economia brasileira neste ano e, principalmente, em 2010. Hoje, o ministro Mantega previu um crescimento do PIB brasileiro de 2% no terceiro trimestre em relação ao trimestre anterior e de 8% na comparação anual.
No segundo trimestre, o PIB brasileiro cresceu 1,9% em relação ao período anterior. O crescimento do PIB no segundo trimestre será divulgado amanhã pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O mercado financeiro também reviu para cima os números de 2009 e prevê um crescimento no ano de 0,21%. Para 2010, foi mantida a expectativa de crescimento de 5%.
Já o BC manteve, no último relatório de inflação, a previsão de crescimento de 0,8% para o PIB deste ano.
Fonte: folha.com.br
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