14/12/2009
Bolsas sobem na Ásia e na Europa com pagamento de dívida de Dubai
O pagamento da dívida da Nakheel, a gigante imobiliária ligada ao grupo financeiro Dubai World --o braço de investimentos do emirado de Dubai--, foi recebida com entusiasmo pelos investidores tanto na Ásia como na Europa. A ajuda de US$ 10 bilhões oferecida pelo emirado vizinho de Abu Dhabi afastou os temores de insolvência de Dubai.
Às 7h58 (em Brasília), a Bolsa de Londres subia 0,96%, indo para 5.312,07 pontos no índice FTSE 100; a Bolsa de Frankfurt tinha alta de 1,04% no índice DAX, para 5.815,94 pontos; a Bolsa de Zurique tinha alta de 0,28%, indo para 6.429,78 pontos no índice Swiss Market; a Bolsa de Amsterdã tinha alta de 0,87%, com 322,92 pontos no índice AEX General; e a Bolsa de Madri subia 1,02%, para 1.222,44 pontos no índice Madrid General.
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Na Ásia, a Bolsa de Hong Kong teve ganho de 0,84%, indo para 22.085,75 pontos; a Bolsa de Seul (Coreia do Sul) teve alta de 0,47%, indo para 1.664,77 pontos; e a Bolsa de Xangai teve alta de 1,71%, ficando com 3.302,90 pontos no índice Shanghai Composite. A Bolsa de Tóquio (Japão), no entanto, teve leve variação negativa de 0,02%, fechando com 10.105,68 pontos no índice Nikkei 225.
O financiamento oferecido por Abu Dhabi vai ser usado para pagar a dívida de US$ 4,1 bilhões da Nakheel, que vence hoje. Os US$ 5,9 bilhões restantes da ajuda de Abu Dhabi pagarão os juros e operações de funcionamento do Dubai World até 30 de abril de 2010, desde que o grupo tenha êxito nas negociações de um moratória da dívida.
Em 25 de novembro, as autoridades de Dubai anunciaram que pediriam uma moratória de pelo menos seis meses sobre a dívida da Dubai World, o que provocou pânico nos mercados financeiros ao redor do mundo, que temem quanto à solvência do conglomerado, com dívida total de US$ 59 bilhões.
Desde o anúncio das dificuldades de Dubai para saldar suas obrigações as Bolsas mundiais passaram por outro susto: com a economia mundial ainda em processo de recuperação da crise causada pelos problemas financeiros surgidos nos EUA --com os papéis do segmento "subprime" (de alto risco) do mercado imobiliário americano--, os investidores temiam um novo abalo caso Dubai desse calote na dívida.
"A notícia de Dubai foi uma surpresa para o mercado", disse à agência de notícias AP (Associated Press) o estrategista-chefe de investimentos SJS Markets em Hong Kong, Dariusz Kowalczyk. "Estávamos nos preparando para a falha no pagamento hoje e agora eles estão dizendo que vão pagar. Isso sem dúvida é positivo para a confiança do investidor."
Iniciativa
A iniciativa de Abu Dhabi foi vista por analistas e investidores como disposição de impedir que a credibilidade do emirado de Dubai se esvaísse. No dia 30 de novembro, o diretor-geral do departamento de Finanças do emirado, Abdulrahman al Saleh, chegou a dizer que o governo do emirado não iria garantir a dívida da Dubai World.
"Os credores precisam tomar parte da responsabilidade pela decisão de emprestar às empresas. Eles acham que o Dubai World é parte do governo, o que não é correto", disse ele à época.
O presidente do comitê fiscal de Dubai, xeque Ahmed bin Saeed al Maktoum, disse hoje, no entanto: "Estamos aqui para reafirmas a investidores, credores fiscais e comerciais, empregados e cidadãos que nosso governo vai agir sempre de acordo com os princípios do mercado e com as práticas comerciais aceitas internacionalmente".
O chefe de pesquisas regionais do banco Standard Chartered, Marios Maratheftis, disse que a decisão pelo pagamento foi um "desenvolvimento muito significativo". "Isso mostra mais uma vez que há uma abordagem unificada para lidar com a crise, o que é positivo."
O principal índice da Bolsa de Dubai chegou a subir hoje 10,4%, após quedas expressivas nos primeiros dias após o anúncio da moratória; a Bolsa de Abu Dhabi, por sua vez, subiu 7,8%.
O analista Fahd Iqbal, do banco de investmentos EFG-Hermes, em Dubai, também destacou o lado positivo, mas recomendou cautela. "O anúncio constitui um resgate específico para a Nakheel o que sugere que a empresa foi considerada 'grande demais para quebrar' (...) Isso não significa, entretanto, que seja um resgate de Dubai ou da Dubai World, e isso é importante ser destacado."
Fonte: folha.com.br
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