17/12/2009
Copom alerta para recuperação da demanda, mas vê inflação controlada
Após manter pela terceira vez consecutiva a taxa básica de juros (Selic) em 8,75% ao ano, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central divulgou nesta quinta-feira a ata da reunião da semana passada em que ressalta a recuperação da demanda interna como um fator que pode causar pressões sobre os preços e gerar inflação.
O comitê continua pedindo cautela, mas diz que a expectativa de inflação para este e o próximo ano "se mantêm em patamares consistentes com a trajetória de metas".
Copom prevê alta de 3,3% para energia e de 1,6% para telefonia em 2010
"O Comitê considera que a acomodação da demanda, motivada pelo aperto das condições financeiras e pela deterioração da confiança dos agentes, bem como pela contração da economia global, vem sendo superada, ainda que persista margem de ociosidade dos fatores de produção, que não deve ser eliminada rapidamente em um cenário básico de recuperação gradual da atividade econômica", afirma a ata.
Entre os fatores para a recuperação listados pelo Copom está o crescimento da renda e aumento do crédito e a aplicação de estímulos como a desoneração de impostos sobre veículos e eletrodomésticos.
"Depois de uma breve contração, a demanda doméstica passou a mostrar evidências de recuperação, graças aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda", completou.
O Copom avaliou, porém, que a probabilidade de que pressões nos preços apresentem riscos para que a inflação ultrapasse a meta --que é de 4,5% nos dois anos-- é "limitada".
"Note-se, também, que a desaceleração da economia global tem gerado pressões de baixa sobre os preços industriais no atacado", continua.
Inflação
De acordo com a ata, as projeções de inflação feitas pelo BC "elevou-se" em relação à reunião de outubro e está "ao redor" da meta de 4,5% fixada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional). Na reunião anterior, a projeção era "abaixo do valor central". O BC não divulga a projeção exata.
O Copom prevê reajuste de 3,3% para a conta de luz e 1,6% para a telefonia fixa no próximo ano. Para este ano, a previsão de aumento médio da eletricidade passou de 4,8% para 5,2% e para a telefonia de 0,3% para 0,9%.
Já para o botijão de gás e para a gasolina, a previsão é que não haja variação de preços em 2010. Para este ano, o Copom reviu suas projeções, que passaram de 0% para 1,9% para a gasolina e de 11,2% para 13,4% para o gás.
Fonte: folha.com.br
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