17/12/2009
Copom atenta para reaquecimento, mas vê cenário benigno de inflação
SÃO PAULO - O Banco Central (BC) está com as atenções voltadas para o reaquecimento da economia e para os eventuais impactos que a maior atividade pode exercer sobre a trajetória da inflação. Na ata da reunião de dezembro do Comitê de Política Monetária (Copom), os diretores do BC citam sinais de melhora das condições e repetem que, " neste momento " , em que há uma margem de ociosidade " remanescente " dos fatores de produção, o mais adequado é deixar o juro básico do país estável em 8,75% ao ano.
A menção de que a ociosidade produtiva agora é " remanescente " e de que a Selic estável condiz com o cenário inflacionário benigno " neste momento " já estava no comunicado emitido pelo BC após a reunião do Copom da semana passada. Nos dias que se seguiram à decisão, os contratos futuros de juros com prazo mais longo subiram na BM & F. Alguns agentes desse mercado interpretaram essas palavras como um sinal de que o BC poderia antecipar o aperto nos juros esperado para o ano que vem. Outros, porém, consideraram essa redação apenas como uma mudança para uma avaliação mais positiva da economia. De fato, a ata da reunião dos dias 8 e 9 de dezembro traz algumas mudanças de palavras que indicam recuperação da atividade. Em outubro, o Copom via uma " sensível " margem de ociosidade dos fatores de produção - que passou a ser " remanescente " agora. O texto diz que houve melhora em indicadores " sobre a atividade no comércio, na indústria e sobre o mercado de trabalho " , além de lembrar da maior recuperação do crédito, " em especial no que se refere aos empréstimos para pessoas físicas " , e da confiança dos consumidores e empresários, " que também exibe sinais consistentes de recuperação " . O BC cita também o papel dos bancos públicos na oferta de produtos e financiamentos para pessoas físicas e jurídicas (hoje, por exemplo, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal anunciam uma linha de R$ 3 bilhões para financiamento de motocicletas).
Tendo em vista não só a redução de juros já promovida pelo Copom, mas também esses " estímulos introduzidos na economia " , o BC avalia que o uso dos fatores de produção terá uma retomada gradual, mas " consistente " - outra palavra diferente na ata da reunião de dezembro. No mais, o documento repete a análise dos meses anteriores, considerando que as pressões inflacionárias permanecem contidas e que, pelo menos até agora, o cenário para a inflação permanece benigno. O Copom volta a dizer que esse quadro está sujeito a incertezas e que isso justifica uma postura cautelosa por parte da autoridade monetária. O objetivo do BC, diz a ata, é assegurar que " a convergência da inflação para a trajetória de metas observada em 2009 siga sendo registrada em 2010 e 2011 " .
Fonte: folha.com.br
|
|
|