22/12/2009
Compra da GVT pela Vivendi vira alvo de processo do MPF
A compra da GVT pela francesa Vivendi agora está sendo investigada pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro. O órgão abriu ontem processo para apurar se a operação, que envolveu a compra do controle da operadora de telefonia no mercado, feriu as regras da legislacao brasileira, prejudicando acionistas minoritários.
A CVM (Comissao de Valores Mobiliarios) já investiga a operação, mas o processo da autarquia tem finalidade administrativa. Caso fiquem comprovadas as irregularidades, a Vivendi poderá receber, no maximo, uma multa. Já no Ministerio Publico Federal o processo tem o objetivo de apurar as supostas irregularidades da operação para que, em caso de comprovacao, os promotores possam mover uma ação na Justica exigindo a punição dos envolvidos. Em uma situação extrema, podem solicitar ate a reversão do negócio, mas as chances de isso ocorrer são remotas.
Em 13 de novembro, o grupo francês anunciou a aquisição do controle (57,5% das ações) da GVT por R$ 7,7 bilhões, sendo 37,9% em ações efetivamente adquiridas pela própria Vivendi e 19,6% em opções de compra, garantidas pelo fundo inglês Tyrus. Com o anúncio, a Telefônica, que fizera oferta para adquirir a GVT em leilão público, ficou fora da disputa. Os espanhóis, no entanto, acreditam que o fundo não tinha como garantir a entrega dos papéis --fato que não daria o controle da GVT à Vivendi naquele momento, atrapalhando o leilão da Telefônica, que ocorreria seis dias depois. Nesse leilão, a operadora espanhola compraria os papeis de interessados na venda pagando R$ 50,50 por ação.
A Telefónica disse a Folha que, caso fosse a leilão aberto ao público, teria fôlego financeiro para pagar até R$ 70 por ação da GVT, imaginando que a Vivendi comparecesse para um confronto direto. Mas a estratégia da Vivendi foi negociar a compra do controle (mais de 50% das ações) diretamente com os fundos estrangeiros que detinham papeis da GVT pagando R$ 56 por ação.
A Vivendi contesta que a Telefónica pagaria até R$ 70. O presidente da GVT, Amos Genish, afirmou em entrevista a Folha que a declaração da empresa espanhola não foi honesta. Isso porque, no dia 15 de novembro, dois dias após o anúncio da Vivendi, o presidente da Telefonica, Antonio Carlos Valente, divulgou nota afirmando que R$ 50,50 era o teto, já considerando as sinergias entre a Telefonica e a GVT.
Posteriormente ao anúncio da abertura do processo pela CVM, Valente afirmou que aquela declaração foi dada em um momento em que se acreditava que o controle da GVT tivesse ocorrido de forma incontestável. A operadora só aguarda o encerramento das investigações para também entrar com uma ação por perdas e danos, caso fiquem comprovadas as supostas irregularidades da operação.
O vice-presidente de comunicação da Vivendi, Simon Gilham, afirmou à Folha que a companhia esta trabalhando em conjunto com a CVM para esclarecer os detalhes da operação que, segundo ele, seguiu os mais altos padrões de negócio do mundo e está em total acordo com a legislação brasileira.
Fonte: folha.com.br
|
|
|