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14/01/2010

Papéis de empresas brasileiras são os mais negociados no exterior



Estrela entre os países emergentes, o Brasil liderou com folga, no ano passado, o volume de transações de papéis estrangeiros negociados em praças como Nova York, Londres e Luxemburgo, as principais do mercado mundial de renda variável.

Os papéis brasileiros caíram tanto no gosto dos investidores globais que só perderam em volume para as ações de empresas locais dessas Bolsas.

Chamados genericamente de DRs (Depositary Receipts) --nos EUA, são ADRs (American Depositary Receipts)--, os recibos que valem ações de companhias brasileiras tiveram um giro de US$ 614 bilhões em 2009, à frente dos US$ 409 bilhões dos papéis da China e dos US$ 341 bilhões do Reino Unido, segundo o Banco de Nova York Mellon, maior depositário de DRs do mundo.

Pelos DRs, o investidor negocia empresas de fora de seu país sem cruzar fronteiras e correr risco cambial, entre outros.

Dos negócios com papéis brasileiros, Petrobras e Vale responderam por mais de dois terços das transações. As duas tiveram o maior volume individual de negócios, à frente da tecnológica chinesa Baidu, da britânica British Petroleum e da finlandesa Nokia.

Os papéis brasileiros subiram 121,53% em 2009, atrás só dos argentinos (130,84%), mas bem acima da média de 36% de todos os DRs do BNY Mellon. Na maioria dos casos, os DRs renderam mais do que a Bolsa de Nova York, com alta de 18,82% no índice Dow Jones e de 23,45% no S&P 500.

Segundo Curtis Smith, responsável no Brasil por ADRs do BNY Mellon, o negócio com papéis de emergentes foi, na crise, o principal instrumento para diversificar o risco e aumentar a rentabilidade com ações à disposição dos maiores fundos de hedge e de pensão do mundo.

"O Brasil foi um destino importante de investimentos e deve continuar assim em 2010. O ADR tem a conveniência de acesso para o investidor [estrangeiro] que, por risco ou política, prefere investir [em papel brasileiro] nos EUA", disse.

Além da conveniência, quem negocia grandes volumes tem custo menor de transação nos EUA e na Europa.

A Petrobras tem hoje mais papéis negociados na Bolsa de Nova York do que na BM&FBovespa. No caso dos papéis ON (com direito a voto), a proporção é de 90% dos negócios em Nova York e só 10% no Brasil. Entre as demais empresas brasileiras com acesso ao mercado americano, a proporção é de 60% nos EUA e 40% no Brasil.

Desde 2005, os papéis brasileiros lideram os negócios entre as companhias não americanas em Nova York. Em setembro, o Brasil respondia por 2,3% do total, à frente de Reino Unido (1,21%) e China (0,7%).

Fonte: folha.com.br

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