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21/01/2010

Aperto financeiro pode prejudicar crescimento em emergentes, diz Banco Mundial



A crise econômica e o aperto na regulamentação como resposta aos excessos financeiros dos últimos anos podem impactar os mercados, aumentando os custos de empréstimos e reduzindo o fluxo internacional de crédito e de capital. O alerta é do Banco Mundial, que lançou nesta quarta-feira o relatório "Prospectos Econômicos Globais", que trata sobre as consequências a curto e médio prazo da turbulência que levou o mundo à pior recessão desde a Grande Depressão.

Segundo o texto, como resultado desse aperto na regulamentação, os países em desenvolvimento devem ter seu crescimento econômico reduzido nos próximos anos. "A tendência de crescimento nas nações em desenvolvimento pode ser reduzida entre 0,2 e 0,7 pontos percentuais por ano durante os próximos cinco ou sete anos, enquanto as economias se ajustam às condições mais rígidas."

De acordo com o relatório, ao todo, o crescimento potencial nesses países poderia cair de 3,4% a 8% ao longo desta jornada, em comparação com o ritmo de expansão pré-crise. A instituição afirma ainda que a elevação no volume de crédito disponível na primeira metade da década foi responsável por cerca de 40% de cerca de 1,5 ponto percentual de aceleração no ritmo de crescimento dos países emergentes.

Apesar de não conseguirem reverter a tendência de aperto nas condições do crédito ao redor do mundo, os países em desenvolvimento podem, segundo o texto, reduzir os custos dos empréstimos domésticos ou aumentarem seus ganhos de produtividade para compensá-la, recuperando o ritmo mais acelerado de expansão.

A respeito da recuperação da crise, o Banco Mundial afirma que a fase aguda da turbulência já foi superada, citando, por exemplo, a volta do crédito e os ganhos nas Bolsas de Valores. No entanto, a entidade ressalta que ainda há desafios pela frente.

"A recuperação é frágil e deve desacelerar na segunda metade de 2010, quando os impactos das medidas fiscais e monetários terminarem. (...) Como resultado, o crescimento do emprego vai permanecer fraco e a taxa de desemprego deve continuar alta nos próximos anos", diz o documento.

Assim, o PIB global, que deve crescer 2,7% neste ano, deve ter aceleração modesta em 2011, para 3,2%. Nos países emergentes, a previsão do Banco Mundial é de um PIB de 5,2% neste ano, depois de crescer apenas 1,2% em 2009, e de uma expansão relativamente fraco no ano que vem, de 5,8%.

Para o Brasil, as projeções são de PIB praticamente estável em 2009, com variação positiva de 0,1%, e crescimento de 3,6% e 3,9% em 2010 e 2011, respectivamente.

Fonte: folha.com.br

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