21/01/2010
Gutierrez assume dívida de R$ 2,1 bilhões da AES no BNDES
O BNDES conseguiu se livrar da maior dívida que trazia em seu balanço, vencida há dez anos, criando outra dívida. A negociação, concluída nos últimos dias de dezembro, envolve o grupo americano AES, que devia R$ 2,1 bilhões, e outra presença constante no balcão do banco, o Grupo Andrade Gutierrez, que assume a dívida e terá dez anos para quitá-la.
Para o acordo ser assinado, falta ainda o aval da Justiça. Isso porque, sem receber o pagamento, o BNDES levou a disputa aos tribunais. Agora, é preciso convencer Ministério Público e juízes de que a solução desenhada tem o apoio de todos.
Em 1997, a AES obteve R$ 600 milhões, em valores da época, para comprar 33% do controle da Cemig, a estatal mineira de energia. Um acordo entre os acionistas dava à AES a gestão da empresa, mas o então governador de Minas, Itamar Franco, recorreu na Justiça para tirá-la do comando.
Após ser afastada, a AES negociou o adiamento do pagamento da dívida, em 2000. Mas, desde 2003, está inadimplente. As ações adquiridas da Cemig ficaram retidas pelo BNDES como garantia. Segundo o banco, à dívida que existia incidiram juros e multas, somando hoje R$ 2,1 bilhões.
As negociações para o encerramento do imbróglio iniciaram-se há cerca de dois anos e foram propostas pela Andrade Gutierrez, diz fonte no grupo. Pelo acordo, a empresa vai assumir o pagamento da dívida e, com isso, ficar com a participação no controle da Cemig.
Segundo o BNDES, da dívida, R$ 500 milhões serão pagos à vista pela Andrade Gutierrez. O resto será pago com a emissão de debêntures --títulos de dívida que ficarão com o BNDES e serão resgatados pela Gutierrez ao longo de dez anos.
Desse total, R$ 850 milhões serão em debêntures com remuneração próxima à taxa básica de juros mais 1,5% ao ano. Outros R$ 765 milhões, em debêntures que remuneram de acordo com o lucro da empresa.
O BNDES não informou a que fração do lucro as debêntures participativas darão direito. Em 2008, a AG lucrou R$ 249 milhões com telecomunicações, concessões e engenharia.
Segundo o jornal "Valor Econômico", outros US$ 25 milhões serão desembolsados à AES. A AES e a Andrade Gutierrez não comentaram.
Velho cliente
Com 62 anos de atuação, a Andrade Gutierrez nasceu no setor de construção pesada (como estradas e hidrelétricas) e, nos últimos anos, expandiu-se --em muitos casos, com o suporte do BNDES.
Nos anos 90, fez parte do consórcio que comprou a Telemar e, hoje, é uma das acionistas da nova Oi, resultante da fusão com a Brasil Telecom. A operação foi abençoada com um aporte de R$ 2,5 bilhões do BNDES e, há um mês, a operadora recebeu outros R$ 4,4 bilhões para investimentos.
A AG integra o consórcio que constrói a hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia, com a Odebrecht, e de Furnas. O grupo recebeu R$ 6,2 bilhões do BNDES no ano passado.
A ideia é que o setor elétrico cresça nos resultados do grupo. E não deverá faltar o apoio do BNDES: a AG se prepara para disputar, com um consórcio, a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará. O banco já confirmou seu apoio ao consórcio vencedor, que será conhecido neste ano.
Fonte: folha.com.br
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